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Filosofia de Friedich Nietzsche

Uma das passagens que valeram a leitura do livro. Não dá pra dizer que concordo com todas as citações de Nietzsche, mas, certas ideias, como esta, são indiscutíveis e muito bem colocadas pelo professor. Vejamos:

Ah! Existe uma importante distinção entre nós. Eu não alego que filosofo para si, enquanto o senhor, doutor, continua fingindo que sua motivação é servir-me, aliviar minha dor. Tais alegações nada têm a ver com a motivação humana. Elas fazem parte da mentalidade de escravo engendrada com astúcia pela propaganda sacerdotal. Disseque suas motivações mais profundamente! Achará que jamais alguém fez algo totalmente para os outros. Todas as ações são autodirigidas, todo serviço é autosserviço, todo amor é amor-próprio. Parece surpreso com esse comentário? Talvez esteja pensando naqueles que ama. Cave mais profundo e descobrirá que não ama a eles: ama, isso sim, as sensações agradáveis que tal amor produz em você! Ama o desejo, não o desejado. Assim, permita que pergunte de novo por que deseja servir-me.

(YALOM, Irvin D.. "Quando Nietzsche chorou", Rio de Janeiro: Agir, 2009. P. 138)
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O véi Mané Sinhô


Fragmento da peça "A terrível peleja de Zé de Matos", de José Flávio Vieira, encenada pela Cia. Oca de Teatro.

Entra em cena, assombrado, o velho vaqueiro Mané Senhor, contando uma história complicada de que tinha visto um bicho enorme na serra do Araripe e que por pouco não o comeu.


Mané Senhor:

Me acuda seu Zé de Mato.
Eu tava na serra do Crato
caçando lá uns tatu,
Quesado, que Deus me deu!
Pois um bicho apareceu
e quase me come cru.


Um bêbado:

Temos aqui dois artistas.
São uns dois especialistas,
e vão fazer um favor.
Quesado e Zé de Mato,
que bicho foi que de fato
quase come o véi Senhor?


Luiz Quesado:

O véi Mane Sinhô
tava no mei do deserto,
dormindo de cu aberto,
chegou um bicho e entrou.
Saiu e depois voltou,
ficando nele encerrado.
Esse bicho era pelado,
chato, ocado e rombudo,
e tinha o pé cabeludo.


Zé de Matos:

O bicho não é de osso.
De carne também não é.
Não tem perna, mas tem pé.
Não tem braço e tem pescoço.
Ora está fino ora grosso.
Tem capa, mas anda nu.
Não tem rabo, ele é suru.
Carrega os ovos num saco.
Em falta de outro buraco,
ele se esconde no cu.


Luiz Quesado:

O bicho é feito de mola
e traja chapéu de couro.
Não come e vomita soro,
e tem a cabeça de sola.
Se alguém seu nome ignora,
diz o Braz italiano
que, passando em Pacatuba,
viu alguém por lá chamando
este bicho de Manjuba.


Zé de Matos:

Vomita o que não engole,
fica triste quando come.
Eu não sei dizer-lhe o nome,
mas disse a veia Chica,
se a capa for de pelica,
formado por natureza,
pode afirmar com certeza
que o nome do bicho é pica.
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Decomposição

Ferida aberta
expondo as entranhas.
E tão estranhas são as vísceras,
ardidas pelo vento que sopra,
inflamadas pelo sangue que pulsa,
doídas pelo desejo que clama,
enquanto o corpo se desfaz
numa cama.

Convulsas idéias de viver
no pretérito sem futuro.
A cabeça nos pés,
o coração no chão.
Uma infecção, um colapso,
inspiração, expiração
arrancado um pedaço.

Bem, não consegui encontrar o autor, mas com certeza ele se garante ;] Vi num blog legal: A vida em algumas linhas.
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O Grito


Passeava pela estrada com dois amigos, olhando o pôr-do-sol, quando o céu de repente se tornou vermelho como sangue. Parei, recostei-me na cerca, extremamente cansado - sobre o fiorde preto azulado e a cidade estendiam-se sangue e línguas de fogo. Meus amigos foram andando e eu fiquei, tremendo de medo - podia sentir um grito infinito atravessando a paisagem.

Em 1892, integrado à vanguarda intelectual de Berlim, Edvard Munch recebeu um convite para expor na cidade. Ele aceitou a proposta e preparou uma exposição com 50 quadros para a União dos Artistas local. A reação do público foi extremamente negativa. Os visitantes ficaram tão escandalizados com o que viram que a casa foi obrigada a cancelar o evento em menos de uma semana.

Em 2005, a historiadora da arte Sue Pridaux disse ter identificado a paisagem que inspirou Edvard Munch a pintar o seu quadro mais célebre, "O Grito". Segundo a pesquisadora, a paisagem que se vê no fundo da tela seria composta pelas montanhas de Kristiania, a atual Oslo, observadas de Ekeberg, onde ficava o hospital psiquiátrico em que a irmã mais nova do artista, Laura, teria ficado internada sob o diagnóstico de esquizofrenia. Perto do local, havia também um matadouro. Segundo a historiadora, os gritos dos animais na hora da morte, combinados com o dos loucos do asilo, é o que teriam motivado Munch a pintar o quadro.

Retirado de Coleção Folha Grandes Mestres da Pintura.
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Boca do inferno?

Nasce o Sol, e não dura mais que um dia.
Depois da Luz se segue a noite escura.
Em tristes sombras morre a formosura;
em contínuas tristezas, a alegria.

Porém, se acaba o Sol, por que nascia?
Se é tão formosa a Luz, por que não dura?
Como a beleza assim se transfigura?
Como o gosto da pena assim se fia?

Mas no Sol e na Luz falte a firmeza,
na formosura não se dê constância,
e na alegria sinta-se tristeza.

Começa o mundo enfim pela ignorância,
e tem qualquer dos bens por natureza
a firmeza somente na inconstância.

(Gregório de Matos)
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A cabana, de William P. Young


Se ainda não lestes o livro, aconselho-te a primeiro fazê-lo, pois, desta maneira, terás um crescimento espiritual muito maior do que se só leres o que aqui escrevi. Além disso, não quero guiá-lo segundo o meu ponto de vista, pois, quando lemos, abrimos as asas da imaginação e as portas de nossas mentes se tornam receptivas a novas informações, novas verdades; verdades estas que podem se revelar a cada um de uma maneira completamente diferente. Ou seja, posso ter simplesmente imaginado coisas, ou o que chamou a minha atenção poderia não ter chamado a sua e vice-versa. Além do mais, é um livro que muda, quebra paradigmas e conceitos próprios. Poderias precisar mais que eu de certas verdades que não abordei do que as que postei.

Aconselho, também, que não leias A cabana levando para o lado religioso, pois o verdadeiro crescimento espiritual é na vida real. Logo explicarei por que; aliás, este post dá início a uma série de outros novos que abordarão uma mesma linha de um novo pensamento meu. Mas, por enquanto, voltemo-nos no livro.

Dentre as muitas verdades ditas e reveladas no best-seller americano, as que mais me chamaram a atenção foram quanto a:

LIBERDADE

Sempre estamos presos a algo. Pode ser à herança genética, ao DNA específico e às questões quânticas subatômicas. Não há como escapar. Além dessas limitações físicas há as psicológicas, como os hábitos que criam elos e caminhos sinápticos no cérebro, as doenças da alma, que o inibem e o amarram, as influências sociais externas e os dogmas, paradigmas. Se pensarmos que nossa liberdade é sempre condicionada, não a teríamos de forma alguma.

A liberdade nada mais é que um crescimento interior, tudo que nos faz sentir livres. Só as questões que já foram citadas não tiram de ninguém a liberdade, e muito menos muros e amarras. Se a pessoa satisfizer seu espírito dentro de uma cela, por exemplo, pode se sentir livre e, assim, libertar sua alma. É ela, portanto, algo que vem de dentro para fora, e não o contrário (não está subjugada a nada, mas se sobrepõe a tudo).


HIERARQUIA

É uma questão que passa a gerar controvérsias e muitas confusões dentro da nossa cabeça (pelo menos em mim ainda tem gerado) quando chegamos a essa parte do livro. Pessoalmente, foi a mais difícil de aceitar.

No Reino de Deus, não há um maior nem um menor. A hierarquia, gerada pela liderança, é vista como uma forma de organização, sim, mas que inibe o amor. Acontece que as pessoas se tornam objetos a serem manipulados ou administrados para a felicidade de alguém. Perde-se, então, a comensalidade; humildade quanto aos mais altos e felicidade quanto aos mais baixos. Os relacionamentos caem, portanto, não provém de Deus. Nada que iniba o amor (mesmo que só para a organização) vale a pena.


JUSTIÇA

Deus não é um Deus justo (pelo menos na nossa concepção de justiça). Ai de nós se o fosse! É só vermos a nossa posição no universo em relação a Ele e nossas atitudes. O peso da Sua justiça seria tão pesado ao cair sobre nossos ombros que milhares de almas seriam lançadas fora. Isso não é amor. A justiça é como a hierarquia e as regras (inflexíveis): serve para organizar, mas inibe o amar. Deus pois, prefere usar dele e de sua misericórdia. O livro traz um exemplo perfeito: o amor de um pai para com o filho é tão grande que, mesmo que este cometa uma falha terrível, não o amaria menos por isso. E, sendo o amor de Deus infinitamente maior que o nosso, que Deus seria esse, então, que o deixa de lado para julgar e condenar (não todos) os filhos pelos atos? Depois (não na próxima postagem, mas depois mesmo dela) explicarei melhor porque Ele sempre usa de sua amabilidade (não usando, pois, de nossa justiça, nunca).


PRESENÇA DE DEUS – O AMOR

Acho que a principal mensagem a ser passada com todo esse aparecimento de Deus (pelo menos como percebi) é que o amor provém Dele, Ele é o amor. Queria que Mack não encontrasse somente no rito religioso, mas, principalmente, no nosso dia-a-dia; não somente no fim de nossa vida, mas no decorrer dela; não no resultado final, como uma prestação de contas, mas durante o processo.

O Deus figurado ensina que não deixaria de estar em Mack numa cabana velha e malcuidada, se lá houvesse o amor dos relacionamentos entre pessoas. Não há outra maneira de se relacionar com Deus. Ele é todo aquele sentimento que nos envolve, aquele deleite (que supera qualquer situação ruim, como o vale da sombra da morte, a cabana, por exemplo). Não bastaria ter só fé nas Suas existência e sua presença para desta desfrutar, pois isso até o diabo tem.

A submissão é uma das mais fortes e importantes características do amor. Por amor Deus não interfere em nossas (estúpidas) escolhas: também é submisso, não para mostrar: “Eu estava certo”, mas para não forçar uma relação, pois Ele não quer que nenhum sentimento iniba o amor (tem vários para esse caso). Portanto, se até Jesus se submeteu (em quase todos os seus instantes), deixemos Seu amor (o amor por pessoas) entrar em nossas vidas para que possamos fazer o mesmo! Percebem que só dá para alguém se submeter por esse amor?

Logo explicarei melhor por que Deus está realmente presente nesse sentimento.
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O senhor dos anéis, de J. R. R. Tolkien


Difícil descrever esta que é simplesmente a melhor história que já vi. Posso dizer que, fascinante ao extremo, a principal história da Terra Média é belíssima; você se pega vislumbrado com toda a beleza daquilo que arrebata das páginas de O senhor dos anéis. Também que não consigo imaginar o que poderia ser mais envolvente que a leitura deste livro.

À primeira vista, a essência da história se mostra sombria, com um lado negro dominante e inocentes personagens lutando com todas as suas mínimas forças para simplesmente manter o bem. Além do mais, o objetivo parece quase completamente impossível. Porém, a história não poderia ser mais feliz.

Mesmo assustadoramente desfavorecidos, os aliados ao bem encontram neles mesmos forças para prosseguir. A alegria do companheirismo, portanto, consegue se impor sobre o gigante do medo. A força pela qual conseguem continuar é, como se percebe, algo propiciado de dentro para fora, e não o contrário. A história, então, nos mostra que mais vale um espírito alegre do que um ambiente ou uma circunstância alegre. A felicidade é, portanto, encontrada no seu lugar máximo, e por isso que mais feliz não poderia ser. Isso me lembra de que Deus pode ser encontrado no amor dos relacionamentos, que deu àqueles indefesos uma proteção de perseverança, esperança e forças para prosseguir. Vejo tudo isso claramente quando Sam carrega Frodo ao Mount Doom para, juntos, concluírem sua jornada. Pode-se ver que se evidencia, com isso, a força do amor (deixarei para me alongar mais nesse assunto mais tarde).

Também nos passa uma baita lição de humildade ao mostrar que, contando somente com esse sentimento, dois simples hobbits (que podem ser compreendidos entre os anões e os elfos) lutaram e conseguiram vencer as forças que a eles se superavam em tamanho, mas não em força.

Por não conseguir passar esse que é o mais marcante elemento da história, a trilogia de O senhor dos anéis em filme é uma das que considerei mais infiéis ao livro. Como claro exemplo disso, vejam que apenas no terceiro filme veio a ser retratada uma das inúmeras canções encontradas ao longo da narrativa, e esta nem entre companheiros era.

Ainda quero, um dia, reler essa história perfeita. Gostaria mesmo de falar um pouco da trama, mas é muito longa, apesar de clara. Já passei o que queria principalmente revelando a verdadeira mensagem. Deixo para explicá-la ao vivo.

Detestei O hobbit. A história de Bilbo Baggins não me agradou por ser alegrezinha até demais enquanto esperava algo parecido com O senhor dos anéis, onde a felicidade, mesmo que grande, é subjetiva e, o lado negro da força, evidente; justamente por funcionar como uma introdução ao mesmo. Deparei-me com uma felicidade rasa e clara, como um conto para crianças. ela, somada ao estilo extensivo do autor, deixava a história entediante. Na verdade, tenho certeza de que peguei pesado ao esperar de outra história o que obtive de O senhor dos anéis, por mais próximas que fossem as duas. Porém, pode-se perceber ainda mais claramente o estilo do autor por ser um livro totalmente evidente em sua essência. Portanto, para mim, ainda é recomendável, pois me envolvo muito no estilo de Tolkien; mas somente àqueles que não leram ainda O senhor dos anéis para que, como eu, não sejam frustrados.
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O livro vai bem, obrigado


Ainda bem que é chegada à cidade uma nova bookstore. A Saraiva se mostra melhor que a Siciliano em vários aspectos, principalmente no atendimento, fator importantíssimo numa loja como esta, mas raramente atingido.

Muitas lojas conseguem oferecer um boa orientação por parte de seus funcionários. São elas as de vestuário, de perfumaria, de calçados e muitas outras, mas exigir o mesmo de uma loja que vende informações e conhecimento é pegar pesado. Contratar um pessoal no mercado de trabalho de hoje que tenha uma boa bagagem literária é, no mínimo, bastante difícil. Por isso é que até os maus entendedores são frustrados quando visitam uma. O retrato era o que se via na Siciliano, onde, para um adolescente, eram aconselhados livros como os das séries Crepúsculo e Harry Potter. Certamente, alguém que se encontra em uma fase de crescimento (mental) e o conseqüente amadurecimento, não deve continuar a ler coisas que nada acrescentam às mentes!

Enfim, àqueles que notaram que houve uma certa queda nessa orientação, paciência: as lojas daqui são novas. A bookstore precisa de um "tempo de adaptação", pelo que percebi com a Saraiva de Recife. Ela conta com um espaço até bem menos amplo que o das lojas daqui, mas, já sendo bem mais antiga na cidade, possui um atendimento eficaz, de forma a conduzir os leigos quem não entende muito da área a fazer uma boa escolha. Falo isso porque os bons leitores não necessitam da mesma orientação, só mesmo para localizar os autores, o que, venhamos e convenhamos, nunca é muito claramente exposto.

A Siciliano, mais pra quando estava perto de acabar, até que deu uma certa melhorada e, sejamos sinceros, estava até bem melhor que a atual Saraiva. Mas, como falei, essa melhora se deve a uma maior convivência com o ambiente da leitura, onde se ganha uma certa experiência e, com certeza, a muitas broncas que, é claro, surtem efeito.

Hoje se pensa entre a juventude que os livros que acrescentam algo são os chatos não ficção. Preferem, portanto, livros que eles próprios consideram fúteis (sim, eles sabem disso) não pela necessidade de imaginação, mas por não exigirem praticamente nenhum comprometimento, serem de fácil leitura. Posso dizer, porém, pela minha escassa bagagem literária, que há, sim, livros de ficção que nos acrescentam, mas que não são esses da moda.

Digo que Harry Potter e Crepúsculo são sim bons livros... infanto-juvenis, não mais do que isso. Não o aconselharia a adolescentes (foi, até, buscando o público infantil que Jo Rowling começou a escrever a história do menino bruxo). Ideal para eles é que se leia Bernard Cornwell, principal escritor britânico atualmente. As (inúmeras) crônicas não deixam de ser fictícias, porém se veem vinculadas a sociedades reais, guerras e suas possíveis articulações; se tem uma noção da historicidade dos fatos, da essência de épocas reais marcadas por conflitos, etc. Acrescentam ao jovem, portanto, uma carga histórica, social e cultural, até, muito útil.

Apesar de ser tolkieniano até o final, devo confessar que ler Tolkien não é uma boa para aqueles que precisam de uma nova mentalidade. A essência é a mesma de Harry Potter, embora consiga acrescentar muito mais pelo fato de ter sido escrito em uma outra época (O senhor dos anéis foi feito e publicado entre os anos de 1937 e 55, segundo algumas fontes) e possuir uma mensagem forte e real. Para ser bem compreendido, portanto, o leitor deve ter uma "idade mental" considerável. Ou seja, o indicaria àqueles que já passaram da fase de crescimento, tanto para que a mensagem seja bem captada como para que, não sendo entendido, não atrapalhe o amadurecimento.

Se tivesse de sugerir um livro a um adolescente, porém, sugeriria os os romances que abordam personagens reais. Esses acrescentam informações que nem os livros didáticos podem de uma maneira que estes não conseguem (atraente e envolvente), que torna tudo mais compreensível. Clareiam e explicam melhor a história, além de tudo que Bernard Cornwell consegue. Os estilos são quase idênticos; é como se déssemos nome aos personagens de Bernard. Um bom exemplo é Conn Iggulden, revelação da literatura britânica que, na série O conquistador, aborda a história do imperador mongol Gêngis Khan e, na série O imperador, de um dos maiores monarcas de todos os tempos: Júlio César, senhor do poderoso império romano. Nenhuma narrativa, mesmo com seu caráter histórico, deixa de ser fictícia, mas as histórias são recriadas à luz das mais recentes pesquisas. Tudo é baseado em fatos reais (ou melhor, no mais dentro do provável). Segue um trecho da nota histórica contida em no primeiro volume da série O imperador em que se vê o quão é saudável que se leia esse tipo de narrativa:

“Há muito pouca informação histórica sobre os primeiros anos de Júlio César. Até onde era possível, dei a ele o tipo de infância que um garoto de uma família pouco importante em Roma poderia ter. Algumas de suas habilidades podem ser deduzidas a partir de realizações posteriores, é claro. Por exemplo, a capacidade de nadar salvou sua vida no Egito, quando tinha cinquenta e dois anos. O biógrafo Suetônio (personagem da história) disse que ele possuía grande habilidade com espadas e cavalos, além de uma resistência surpreendente, preferindo marchar a cavalgar e mantendo a cabeça descoberta em qualquer tempo. Sinto em dizer que Rênio (mestre de Júlio quando criança, época em que ainda era Caio) é fictício, mas era costume empregar especialistas em vários campos. Sabemos de um tutor vindo de Alexandria, que ensinou retórica a César...”

Livros como A cabana são ideais para a leitura de pessoas já crescidas mentalmente, e não para quem ainda está nesse processo, por ter a finalidade de serem impactantes e trazerem mudanças profundas.
 
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