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Filosofia de Friedich Nietzsche

Uma das passagens que valeram a leitura do livro. Não dá pra dizer que concordo com todas as citações de Nietzsche, mas, certas ideias, como esta, são indiscutíveis e muito bem colocadas pelo professor. Vejamos:

Ah! Existe uma importante distinção entre nós. Eu não alego que filosofo para si, enquanto o senhor, doutor, continua fingindo que sua motivação é servir-me, aliviar minha dor. Tais alegações nada têm a ver com a motivação humana. Elas fazem parte da mentalidade de escravo engendrada com astúcia pela propaganda sacerdotal. Disseque suas motivações mais profundamente! Achará que jamais alguém fez algo totalmente para os outros. Todas as ações são autodirigidas, todo serviço é autosserviço, todo amor é amor-próprio. Parece surpreso com esse comentário? Talvez esteja pensando naqueles que ama. Cave mais profundo e descobrirá que não ama a eles: ama, isso sim, as sensações agradáveis que tal amor produz em você! Ama o desejo, não o desejado. Assim, permita que pergunte de novo por que deseja servir-me.

(YALOM, Irvin D.. "Quando Nietzsche chorou", Rio de Janeiro: Agir, 2009. P. 138)
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O paradoxo da internet

Quantos amigos de verdade você tem? No meu caso podem ser contados nos dedos, mas nunca fiz um amigo pela internet. Acho que é porque a rede social desobriga a gente a se conhecer direito. No mundo virtual, as pessoas têm centenas e milhares, o que leva a uma superficialidade nos relacionamentos. Daí o sucesso do Twitter, onde poucos sentem a necessidade de dar mais de 140 tecladas. Afinal, na era da velocidade, a globalização diz: “Você não vai querer perder tanto do seu precioso tempo com essa pessoa!”.

Bem, pode-se perceber que um dos maiores sinais do amar é o gastar tempo (com essa pessoa, coisa...), justamente o oposto do que é pregado pela atual sociedade. Nela, o amor não é necessário ao sucesso do homem; pelo contrário, pode, muitas vezes, cegá-lo. Seria impossível, entretanto, viver feliz sem ele.

A internet aproxima as pessoas, é verdade, por que antes dela você jamais manteria tantos contatos em tantos lugares diferentes. Mas fotos e vídeos não substituem plenamente seus rostos e corpos, pois não posso cheirá-los, tocá-los nem olhá-los nos olhos. Você tem é que se satisfazer com a máquina. Quem não nos conhece, não nos ama.

Pode-se dizer, portanto, que, quanto mais internet, mais globalização e menos pessoalidade, menos amor. Claro que isso não conta para aqueles que não têm uma escolha melhor de manter contato, como quem mora longe. Vale mesmo para aqueles que têm a opção da pessoalidade e optam pela net.

Tomemos um exemplo nada básico (mas claro) de que a internet não agrega sentimentos: o de um velório virtual (sim, já aconteceu). Que valor há nisso?

Em suma: a internet aproxima ideologicamente as pessoas, mas as afasta pessoalmente.

Bem, e como vai haver muitas discordâncias, fica a seguinte questão: o que você gostaria de fazer se soubesse que morreria amanhã? Seria algo diferente da presença de pessoas?
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Sociologia dos bares

(Rubem Alves)

Acontece que o desejo de não estar sozinho bate de repente. A gente quer sair, mas não se atreve a visitar e é tarde para convidar. E foi nesse lugar de “desejar estar junto” que, me parece, aconteceu a metamorfose do bar, que de lugar de perdição acabou se tornando um lugar de comunhão. Os antigos não entendem. Minha sogra não o via com bons olhos – nem poderia ser diferente. Comparou o preço de uma cerveja do bar com o de uma do supermercado e não viu muita vantagem: “Não é muito mais econômico comprar a cerveja no supermercado e beber em casa?” Ela não sabia que bar não é lugar de beber. Lá a bebida é só desculpa para se estar junto. Do jeito mesmo como aconteceu no ritual eucarístico. Jesus não queria beber e comer. Ele queria estar junto, falar de amizade e saudade. E, para isso, valeu-se de pão e vinho.

Faz muito que a sociologia dos bares me fascina. Ela tem a ver com as várias relações entre as pessoas que acontecem dentro daquele espaço. Percebi que se parecem muito com as que acontecem em lugares sagrados. Há bares que se parecem com catedrais: são enormes, centenas de pessoas cabem lá dentro, as pessoas se perdem na multidão. Ir lá é como participar de uma romaria. Outros bares se parecem com pequenas capelas e mosteiros: as relações são íntimas, as pessoas se conhecem, os garçons são chamados pelo nome. Voltar a esse bar é voltar a um lugar já conhecido e amigo. Um freqüentador não é um cliente. Ele tem nome. Aí muitas coisas interessantes podem acontecer. Muita filosofia e muito amor nasceram em uma mesa de bar.

Não tem nada a ver com restaurante, onde raspado o prato vai-se embora. Barriga cheia, não há mais o que fazer. O tempo anda rápido. Nos bares é diferente: o tempo pára. Não se vai lá pensando em sair, mas em se desfazer dos objetivos do tempo.

Por vezes, o que se deseja é estar sozinho. Muito já entrei numa igreja, no meio do dia, só para estar só. Sozinho, num bar, lendo um livro, pensando. Isso, claro, se o bar não for do tipo igreja pentecostal, onde é proibido estar sozinho, pois o barulho é de tal ordem que a solidão é impossível. De uma boate conhecida se diz: “É muito romântica: todos falam com a boca colada no ouvido do outro”. Tem de ser assim, pois o barulho da música é tal que não se ouve o que a boca do outro diz.

É verdade que os bares já foram lugares de perdição. Eram, não onde as pessoas se perdiam, mas o lugar em que os que haviam se perdido em outros lugares vazios de alegria tentavam encontrar a alegria perdida.

Num tempo em que visitar caiu de moda, é bom saber que há um lugar onde é possível estar com os amigos.

(ALVES, Rubem. "Cenas da vida", São Paulo: Papirus, 1997. P.  89 à 90)
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Torre de Babel

Quem passou a vida em brancas nuvens
e em plácido repouso adormeceu,
quem não sentiu o frio da desgraça,
quem passou pela vida e não sofreu,
foi espectro de homem, não foi homem.
Só passou pela vida, não viveu.


(Francisco Otaviano)
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Uma confluência de caminhos



Não queria ressuscitar este assunto de espiritualidade, mas gostaria de fazer uma consideração final sobre ele.

Ultimamente tive minha ideia de espiritualidade (veja na tag pensamentos) contestada por mim mesmo. A crítica era tão boa que até balancei na tese. Minha consciência dizia que eu estava errado, mas, no fundo, não conseguia (nem queria) acreditar em tal erro. Foi quando percebi que essa contestação apenas deixa meu argumento mais forte.

Minha prima ressaltou a famosa frase: “Ame Deus acima de tudo e ao próximo como a ti mesmo.” É lógico que a frase está certa; então não adianta amar só um dos dois, tem que correlacioná-los. Demorei a perceber, porém, que em nada difere da minha idéia de que Deus está presente somente nos relacionamentos amorosos. Na verdade, existem pessoas que só “amam” Deus e que não ligam pro próximo: adoram ler a bíblia, orar/rezar, "louvar"...

Existe também o “amar” ao próximo sem a participação de Deus (do amor): a exploração humana é um ótimo exemplo. Agora combinar Deus com pessoas resulta nos relacionamentos amorosos.

Já até imaginei que contestações viriam (e que não pararão por aqui!), pois minha visão de Deus é bastante simples e concreta.
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Tudo pelos relacionamentos


Os ateus não acreditam em Deus, certo? Errado. Deus é muito diferente do que dizem que Ele é. Ser ateu, portanto, não é, necessariamente, desacreditar em Deus, mas desacreditar no que a religião prega (as mentiras do vídeo da postagem anterior).

O ateísmo, extremo oposto da religião, pode ser pior ou melhor que ela, variando de pessoa para pessoa. Cada um deveria, de acordo com suas concepções, escolher a melhor forma de amar ao próximo: com ou sem a religião (ou de alguma outra forma existente). Digo isso porque


Devemos aproveitar ao máximo nossa vida para nos relacionar.

Como já expliquei, isso é estar no centro da vontade de Deus. A religião, portanto, deve ser mais um meio para nos relacionarmos, e não para nos impedir disso. Quando ela passa a inibir, foge completamente da vontade de Deus e, quando os favorece, passa a ser plenamente santa, mesmo com seus pensamentos malucos. É o que mostra o esquema abaixo.


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Um homem também chora (guerreiro menino)

Resolvi postar esse verdadeiro poema do Gonzaguinha que não sai de minha cabeça há mais de duas semanas. Para ver o vídeo da música, clique aqui.

Um homem também chora, menina morena.
Também deseja colo, palavras amenas.
Precisa de carinho, precisa de ternura.
Precisa de um abraço da própria candura.

Guerreiros são pessoas tão fortes, tão frágeis.
Guerreiros são meninos no fundo do peito.
Precisam de um descanso, precisam de um remanso.
Precisam de um sono que os tornem refeitos.

É triste ver meu homem, guerreiro menino,
com a barra do seu tempo por sobre seus ombros.
Eu vejo que ele berra, eu vejo que ele sangra
a dor que tem no peito, pois ama e ama.

Um homem se humilha, se castram seu sonho.
Seu sonho é sua vida, e vida é trabalho.
E, sem o seu trabalho, o homem não tem honra.
E, sem a sua honra, se morre, se mata!
Não dá pra ser feliz, não dá pra ser feliz...


Um homem também chora (guerreiro menino) - Gonzaguinha
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A religião nua e crua


Já disse que vejo a religião apenas como uma oportunidade de criar relacionamentos com as pessoas. No entanto, é exatamente o oposto do que é realmente ensinado. O pensamento religioso nu e cru se traduz em todos se escalando (se apoiando na cabeça dos outros, pisando, quando preciso, e, de preferência, derrubando os oponentes) para alcançar um suposto alvo que estaria no alto. Claro, dizer isso seria muito forte, e ninguém gostaria que os outros soubessem que o que querem mesmo é assegurar uma vaga nos céus. Sabendo desse pensamento dos fiéis, a igreja oferece a mesma ideia só que obscurecida, contornada por meio de palavras bonitas. A religião, portanto, além daquele pensamento negro, ainda apresenta falsidade.

Querem ver o que é realmente a igreja? Olhem para as músicas. Quando se canta, se fala mais por meio do coração, deixando, assim, transparecer aquilo que se sente, dificultando a omissão de algo pulsante como, no caso, a vontade de ir para o céu. Conhecem o cantor Fernandinho? Deixou escapar (ceio que foi sem querer) no meio de uma música: “Não se importe com quem está ao seu lado, olhe só para cima, para o alvo!”.

Há inúmeros hinos religiosos condenáveis. Aliás, tenho certeza que há muito mais músicas santas fora da igreja do que propriamente dentro. Um exemplo perfeito é a música do Zaqueu, que não está exatamente errada, mas que faz mal à alma: “(...) Chamar Sua atenção para mim”. Poxa, não se ouve outra coisa!

Há um certo tempo, venho pensando em condenar aqui, no blog, músicas desse tipo, mas, só de pensar, vejo uma lista interminável, e por isso resolvi não concretizá-la. Mas fica aí minha (pesada) crítica à religião, que, a muitos, pode fazer mais mal do que bem ao inibir os relacionamentos destes (logo discorrerei mais sobre). Veja uma excelente explicação disso no vídeo abaixo, que também serve de introdução à minha próxima postagem sobre o assunto.

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Verdades sobre as relações humanas


Assim como são as trevas a ausência de luz e, morte, de vida, o mal pode ser compreendido como a ausência de Deus. (Santo Agostinho)

Pode-se inferir dessa máxima que Deus não tem o controle do mal justamente por não o ter planejado. Faz sentido uma das reportagens bíblicas do History Channel que diz que a serpente entrou no Éden sem ser vista. Apesar disso, será que Ele age com veemência para propagar o bem, digo, mandando um raio vertical dos céus? Já expliquei porque não em “A vontade de Deus” e, agora, quero desenvolver mais a ideia de nossa estreita relação com tal vontade.

A ação divina no plano terrestre vem por meio de nossos relacionamentos, horizontalmente, de uma maneira bem básica. Um exemplo claro seria o da pobreza: como já disse em “A vontade de Deus”, não é porque Ele não ajuda os famintos que não deseja seu bem, mas porque estes precisam de ajuda direta, que só pode vir de nós. Essa tal ajuda direta é a material quando se necessita de material e pode também ser um sorriso, um abraço ou uma palavra amiga quando desses se precisa. Pode-se perceber que não adianta, tendo condições de bancar alimento, levar somente uma palavra amiga a um faminto. Seria uma ajuda indireta tão surreal como a de Deus mandar um raio e mudar toda a situação. Devemos sempre ajudar diretamente: olhar a necessidade do outro e agir conforme ela (o amor é submisso, se amolda). Acho ridículo quem tenta consagrar o Brasil a Deus e salvar o Haiti apenas com orações, assim como detesto uma cena do filme Diários de motocicleta quando Che falta a uma missa e, como punição, fica sem comer por querer alimentar o corpo sem o fazer à alma. Seria isso a mesma coisa?

O mesmo vale para quem precisa de outro tipo de ajuda: não adianta orarmos todos os dias e ir à igreja para, por exemplo, pedirmos a santificação de um vizinho com quem nem trocamos um olhar. Seria à maneira do raio, também. Isso deveria ser feito pessoalmente.
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A vontade de Deus (A cabana, de William P. Young)


Quero agradecer a Deus por ter me dado essa revelação por Seu amor entre nós, pois ele me ajudou a compreender melhor meu papel na terra e o Dele.

Esta é, certamente, a minha postagem mais complicada; portanto, se estiveres mesmo a fim de ler, recomendo: primeiro as outras, porque esta é uma visão bastante contraditória a tudo que entendemos de Deus e religião. Só tô dizendo isso logo pra que você seja cauteloso ao ler como tentei ser ao escrever e não me esculhambe =X!

Quero começar pelo final, lamentando informar que coisas, acontecimentos, bênçãos, não vêm pela vontade de Deus. Muitos, inclusive, acham que ela é movida pelo que Ele pensa de nós ou o que “damos” a Ele. Céticos justificam isso dizendo que não existe um Deus, que apenas o criam para justificar esses acontecimentos, bênçãos... e não é muito exagero por parte deles. Você entenderá (espero) por que.

A mensagem mais mencionada durante todo o livro de William Young foi a de que Deus bem poderia intervir no meio terrestre, mas não o faria porque foi assim que preferimos (desde Adão); que nossa independência seria como um abismo entre Deus e o homem e a única forma de conectá-los seria pela aceitação Dele (como já expliquei, pelo amar). Por amor à nossa escolha de que não interviesse, não intervém (muito menos idealiza, como muitos pensam) numa batida de carro, numa tempestade, na morte de uma criancinha... e sofre bastante com isso. Como já falei, nada que iniba o amor (a nós, em respeito às nossas estúpidas escolhas, por exemplo) vale a pena. Criou o mundo e nos deu porque o pedimos - agora temos de aceitar as consequências, faz parte (e não é só para provar que estava certo)! Isso também justifica não nos proporcionar as coisas boas (materiais, claro). Deus realizaria nossa mera vontade de ganhar enquanto deixa de fazer a Sua (de salvar uma menininha da morte, por exemplo)?

A verdadeira vontade de Deus é, ao contrário do que muitos pensam, apenas de que voltemos a Ele e experimentemos o melhor: o Seu amor.

Portanto, Deus pode ser encontrado em qualquer lugar em que haja amor, e então passamos a estar sob a vontade Dele (de experimentar esse sentimento). Sinto em dizer a alguns que a vontade Divina não se manifesta de outra maneira no plano terrestre nem mesmo para o lucro dos verdadeiramente santos. Prova disso são os inúmeros mendigos por aí que manifestam amor bem mais que muitos milionários.

Mas, então, o que ganhamos quando somos amorosos? Vou explicar porque digo que Deus nos dá esse fortalecimento não para que engulamos as adversidades, mas para que possamos viver realmente melhor.

Mesmo possuindo amor (o que Mack não tinha completamente, pois queria mesmo vingança), muitas vezes não compreendemos quando Deus não intervém. É como disse: os amorosos não obtêm vantagem alguma fora o amor (como a compreensão). Por exemplo: quando Mack já havia encontrado o amor completo, fora vítima de um grave acidente. Deus nos dá esse amor, que é uma força muito maior que qualquer outra, para suportar (que não é engolir qualquer condição, mas verdadeiramente trabalhá-la com amor), perdoar, etc; ou seja, na cabana, Deus queria mostrar a Mack esse que é um sentimento incondicional (algo que vem de dentro pra fora, e não o contrário).
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Grande engano, esse visual santo


Gostaria de explicar melhor o amor. Ninguém ama sozinho. É inevitável, você o faz sempre em relação a alguém. Demorei para aceitar isso, mas vejo que é mesmo verdade. O amor está, portanto, diretamente ligado ao relacionamento. Posso, então, ao mesclar esse pensamento com que foi postado anteriormente, dizer que podemos ser o “melhor” diante de Deus sem sequer falar ou pensar Nele.

A palavra de Deus diz que devemos louvar o Seu nome. Os que só se importam com as aparências, porém, diriam que isso deve ser exercido na igreja. Acham que, só de cantar, erguer as mãos e bater palmas ali (já tendo “aceitado” Jesus, é claro) se alcança a salvação. Alguns, até, mudam de sotaque para falar o nome de Jesus e acham que, assim, o estão honrando. Que nada! Louvar e honrar o nome de Deus não pode ser levado tão ao pé da letra assim.

Os verdadeiros louvor e honra, porém, são por nós dados quando exercemos nossa amabilidade. Não precisaríamos nem entoar cânticos a Ele, apenas o ir à igreja (onde podemos exercer nosso amor para com os outros) já é um louvor plenamente agradável a Deus. Digo com isso que a igreja é um lugar como qualquer outro, onde encontramos Deus nas pessoas, nos relacionamentos. Não estou dizendo para você deixar de participar do momento de adoração da igreja ou mesmo deixá-la, se participar de uma, pois uma das características do amor (verdadeiro louvor) é a submissão. Deus não pede que mudemos a situação, apenas que usemos do nosso amor para convivermos uns com as diferenças (embora erradas para alguns) de outros. Porém, digo que não devemos priorizá-la em relação a outros lugares, como a rua, por exemplo. Não justificaria, pois, ao negar ajuda a um faminto, dizer que se está atrasado para a igreja.

Não se deve, portanto, ir ao local de culto para resolvermos nosso próprio problema. Primeiro porque é barganha; segundo, porque não estaríamos nem aí para o amor de Deus, presente no relacionamento. Ou seja, também não faria sentido se fôssemos a uma igreja vazia.

Uma pessoa que busca ir à igreja para lá exercer sua espiritualidade tem duas personalidades: a santa e a "profana" (no pensamento delas). A primeira é exercida quando se busca alguma coisa de Deus; a segunda, no comum da vida delas (buscam cada vez mais eliminá-la, o que para mim é um erro). Digo, pois, que esta é a que se deve exercer em todos os momentos, que é a verdadeiramente “santa” diante de Deus. A outra que deve ser apagada. Tomemos Jesus como exemplo. Ele manifestava sua espiritualidade nos locais comuns, como festas e ruas. Na igreja era o mesmo, continuava emanando santidade de sua verdadeira pessoa.
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O melhor da vida


Assim como são as trevas a ausência de luz e, morte, de vida, o mal pode ser compreendido como a ausência de Deus. (Santo Agostinho)

Fugir dos propósitos de Deus é, portanto, mergulhar na escuridão. Na sociedade em que vivemos as pessoas procuram traçar seus próprios caminhos, baseadas nas suas próprias concepções do que é bom ou ruim, não permitindo a influência de Deus neles. Deixam de ir, portanto, por um caminho de luz e vida e passam a seguir um de trevas e morte. A única maneira de permitir que Deus cumpra sua vontade nas nossas vidas é deixá-lo entrar em nosso ser, entregando a vida a Ele. Mas o que realmente é isso?

Nas muitas igrejas por aí afora se prega que é levantar a mão, ir ao púlpito e receber uma oração, mas não tão simples assim. Se fosse dessa forma, você receberia Deus indiretamente e mecanicamente, via regras e dogmas separando-o Dele. Já tive essa (infeliz) experiência e, depois de tudo, você olha para os céus e não se sente tão à vontade com Deus. Basta um contrato? Não, isso, de fato, não é aceitar Jesus.

O verdadeiro modo de deixá-lo entrar em seu coração pode até não ser intencional.

Ele entra quando você simplesmente passa a ter amor pelas pessoas.

Você sente o afago do Espírito Santo e passa a sentir que é íntimo de Deus, que não existe nada os separando. Ele está em você e você se sente Nele. Ou seja, a verdadeira forma de receber o Senhor é na vida normal, naturalmente, nos relacionando. Isso ficou fomentando na minha cabeça desde quando um pastor quis pedir a misericórdia de Deus sobre as pessoas que morreram numa igreja antes do apelo, que não tiveram a oportunidade de "aceitá-lo". Mas, se eles já estivesse amor no coração, para quê levantar a mão, mesmo que tivessem a oportunidade? Para aceitar Cristo diante dos homens? Como falei, isso deve ser demonstrado com amor àqueles que o cercam.

O problema é que as pessoas pensam na imagem - veem Deus como um homem perfeito, o máximo que alguém possa vir a ser. Para você ser filho de Deus tem de estar dentro das quatro linhas que provam que, diante dos homens, você seria como imaginam Jesus externamente. Onde está, portanto, sua principal característica, o amor? As pessoas se esquecem de que Jesus não era nem politicamente correto diante da sociedade em que vivia, provando que Deus olha o que você tem no coração!

Um dia desses, antes de iniciar a leitura de A cabana, tive um vislumbre do céu. Imaginei como seria. Lembrei-me de quem seria melhor aos olhos de Deus: o pastor que pregava na igreja e mantinha um relacionamento fechado aos membros mais ricos da instituição ou alguém amoroso que nunca disse (com a boca) "Eu aceitei Jesus". Logicamente era este! Então imaginei a glória dando lugar à serventia e à humildade. Deus não é alguém que tem os pés lavados, mas que lava! Foi pensando nisso que descobri que o céu não será feito de riquezas como o ouro e a prata, moldado aos prazeres do homem carnal. Na frase bíblica: “é mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no reino dos céus”, Rico, nesse contexto, é o homem que dá um valor às coisas materiais equivalente ao amor que deve ser atribuído às pessoas, e não aquele que as possui em excesso. Acho que pode até ser de ouro e que será, mas o ouro terá o mesmo valor que o cimento, o asfalto tem para nós. Só notaremos os valores do amor e dos relacionamentos.

Trabalhar esse sentimento implica em esquecer que há um céu e que "o melhor está por vir". Quem diz "não pertencer a este mundo" verá a glória de Deus nas ruas de ouro.

Ao pensar sobre céu, inferno e o critério de Deus através dessa minha nova visão, vejo que cada um à sua maneira, por ter plantado amor pelo caminho, terá o melhor fim possível (ou impossível). Se alguém passar toda a vida adorando Maomé ou sendo ateu (Deus é muito, mas muito diferente do que as pessoas dizem por aí, e a leitura de A cabana nos traz isso. Se dizer ateu não é, necessariamente, não acreditar em Deus, mas nessa figura que todos têm em mente), por exemplo, não deixará de ser salvo, se ele, como já disse, tiver amor no coração, exalando na vida um perfume suave às narinas de Deus. Foi a maneira dele de aceitar a Jesus, aquilo em que acreditou. Logicamente que, a cada um em seu tempo, Deus se revelaria (na eternidade, Ele agiria conforme o melhor momento para nós).

Um dos momentos de maior alegria dos meus últimos dias foi quando fui correspondido em minha ideologia pela música Love is not a fight, de Warren Barfield. Segue-se, portanto, a letra e o vídeo da música. Send it on, cantada por um combinado de amigos da Disney, também me chamou muito a atenção. Clique aqui, caso queira dar uma olhada.

Love is not a place
to come and go as we please
It's a house we enter in,
then commit to never leave


So lock the door behind you
Throw away the key
We'll work it out together
Let it bring us to our knees


(Chorus)
Love is a shelter
in a raging storm
Love is peace
in the middle of a war
And if we try to leave,
may God send angels to guard the door
No, love is not a fight,
but it's something worth fighting for


To some love is a word
that they can fall into,
but when they're falling out,
keeping that word is hard to do


(Chorus)


Love will come to save us
if we'll only call
He will ask nothing from us,
but demand we give our all


(Chorus)


Love is not a fight - Warren Barfield

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A cabana, de William P. Young


Se ainda não lestes o livro, aconselho-te a primeiro fazê-lo, pois, desta maneira, terás um crescimento espiritual muito maior do que se só leres o que aqui escrevi. Além disso, não quero guiá-lo segundo o meu ponto de vista, pois, quando lemos, abrimos as asas da imaginação e as portas de nossas mentes se tornam receptivas a novas informações, novas verdades; verdades estas que podem se revelar a cada um de uma maneira completamente diferente. Ou seja, posso ter simplesmente imaginado coisas, ou o que chamou a minha atenção poderia não ter chamado a sua e vice-versa. Além do mais, é um livro que muda, quebra paradigmas e conceitos próprios. Poderias precisar mais que eu de certas verdades que não abordei do que as que postei.

Aconselho, também, que não leias A cabana levando para o lado religioso, pois o verdadeiro crescimento espiritual é na vida real. Logo explicarei por que; aliás, este post dá início a uma série de outros novos que abordarão uma mesma linha de um novo pensamento meu. Mas, por enquanto, voltemo-nos no livro.

Dentre as muitas verdades ditas e reveladas no best-seller americano, as que mais me chamaram a atenção foram quanto a:

LIBERDADE

Sempre estamos presos a algo. Pode ser à herança genética, ao DNA específico e às questões quânticas subatômicas. Não há como escapar. Além dessas limitações físicas há as psicológicas, como os hábitos que criam elos e caminhos sinápticos no cérebro, as doenças da alma, que o inibem e o amarram, as influências sociais externas e os dogmas, paradigmas. Se pensarmos que nossa liberdade é sempre condicionada, não a teríamos de forma alguma.

A liberdade nada mais é que um crescimento interior, tudo que nos faz sentir livres. Só as questões que já foram citadas não tiram de ninguém a liberdade, e muito menos muros e amarras. Se a pessoa satisfizer seu espírito dentro de uma cela, por exemplo, pode se sentir livre e, assim, libertar sua alma. É ela, portanto, algo que vem de dentro para fora, e não o contrário (não está subjugada a nada, mas se sobrepõe a tudo).


HIERARQUIA

É uma questão que passa a gerar controvérsias e muitas confusões dentro da nossa cabeça (pelo menos em mim ainda tem gerado) quando chegamos a essa parte do livro. Pessoalmente, foi a mais difícil de aceitar.

No Reino de Deus, não há um maior nem um menor. A hierarquia, gerada pela liderança, é vista como uma forma de organização, sim, mas que inibe o amor. Acontece que as pessoas se tornam objetos a serem manipulados ou administrados para a felicidade de alguém. Perde-se, então, a comensalidade; humildade quanto aos mais altos e felicidade quanto aos mais baixos. Os relacionamentos caem, portanto, não provém de Deus. Nada que iniba o amor (mesmo que só para a organização) vale a pena.


JUSTIÇA

Deus não é um Deus justo (pelo menos na nossa concepção de justiça). Ai de nós se o fosse! É só vermos a nossa posição no universo em relação a Ele e nossas atitudes. O peso da Sua justiça seria tão pesado ao cair sobre nossos ombros que milhares de almas seriam lançadas fora. Isso não é amor. A justiça é como a hierarquia e as regras (inflexíveis): serve para organizar, mas inibe o amar. Deus pois, prefere usar dele e de sua misericórdia. O livro traz um exemplo perfeito: o amor de um pai para com o filho é tão grande que, mesmo que este cometa uma falha terrível, não o amaria menos por isso. E, sendo o amor de Deus infinitamente maior que o nosso, que Deus seria esse, então, que o deixa de lado para julgar e condenar (não todos) os filhos pelos atos? Depois (não na próxima postagem, mas depois mesmo dela) explicarei melhor porque Ele sempre usa de sua amabilidade (não usando, pois, de nossa justiça, nunca).


PRESENÇA DE DEUS – O AMOR

Acho que a principal mensagem a ser passada com todo esse aparecimento de Deus (pelo menos como percebi) é que o amor provém Dele, Ele é o amor. Queria que Mack não encontrasse somente no rito religioso, mas, principalmente, no nosso dia-a-dia; não somente no fim de nossa vida, mas no decorrer dela; não no resultado final, como uma prestação de contas, mas durante o processo.

O Deus figurado ensina que não deixaria de estar em Mack numa cabana velha e malcuidada, se lá houvesse o amor dos relacionamentos entre pessoas. Não há outra maneira de se relacionar com Deus. Ele é todo aquele sentimento que nos envolve, aquele deleite (que supera qualquer situação ruim, como o vale da sombra da morte, a cabana, por exemplo). Não bastaria ter só fé nas Suas existência e sua presença para desta desfrutar, pois isso até o diabo tem.

A submissão é uma das mais fortes e importantes características do amor. Por amor Deus não interfere em nossas (estúpidas) escolhas: também é submisso, não para mostrar: “Eu estava certo”, mas para não forçar uma relação, pois Ele não quer que nenhum sentimento iniba o amor (tem vários para esse caso). Portanto, se até Jesus se submeteu (em quase todos os seus instantes), deixemos Seu amor (o amor por pessoas) entrar em nossas vidas para que possamos fazer o mesmo! Percebem que só dá para alguém se submeter por esse amor?

Logo explicarei melhor por que Deus está realmente presente nesse sentimento.
 
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